quinta-feira, 29 de junho de 2017

SEM ALICERCES.


Autor da foto: Tony Linck




No alto da colina projectei
o nosso ninho, os sonhos, a vida
 a dois…

tu e eu longe do mundo
ventos, intempéries
tudo enfrentaría.

Não fora a derrocada
que me soterrou
 depois…



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terça-feira, 27 de junho de 2017

QUANDO GOSTO DO QUE ALGUÉM ESCREVE...TRANSCREVO.


  DAQUI
Completamente diferente da imagem que ilustra a Crónica citada.


Escreve Afonso Cruz*, na sua Crónica Ilustrada com o título: “Cantar como se rezasse”, na revista Notícias Magazine de domingo passado:


Na revista Ilustração Portuguesa, de janeiro de 1931, podemos ler a seguinte declaração de Alfredo Marceneiro:

  «O meu maior desgosto em 1930 é um desgosto profissional…O gramofone veio industrializar o fado. Que vergonha! O  fado não se deve nem se devia vender. Eu canto o fado como se rezasse. Mas veio o senhor Menano e a Maria Alice, começaram a ganhar dinheiro, e o fado tornou-se mercadoria. Que vergonha! Eu canto porque a minha alma mo ordena. E o que mais ambicionava para 1931 é que fossem proibidas as especulações. “É que eu sou um fadista trágico!»

     Evidentemente, a tecnologia, a gravação, permitiu mais facilmente comercializar o fado, mas não retirou a nenhum fadista a possibilidade de cantar porque a alma lho ordena. E uns, sem prejuízo para alma, podem até ganhar dinheiro com isso, não com o objetivo do lucro, mas como consequência, enquanto outros, pelo contrário, podem pensar no fado como uma profissão ou mera ferramenta para ganhar dinheiro. São opções que não afetam o fado de Marceneiro. O dinheiro que uns recebem não altera a autenticidade dos outros, assim como um escritor comercial não diminui nenhuma das obras de Dostoiévski (que, por sinal, chegou a escrever apenas para ganhar dinheiro, para sobreviver).

     Cremos muitas vezes que o mundo perde significado com a tecnologia, com a globalização (com razão, em alguns casos). Mas ouço muitas vezes o discurso de que já nada tem valor: a viagem perdeu o interesse porque as pessoas levantam voo e pousam do outro lado do mundo, os ilustradores agora fazem tudo em computador, etc. O raciocínio é, além de demasiado conservador, estranho. É como desejar acender um cigarro com pedras de sílex. Nesse tempo é que era.

(…)**

     Ninguém nos impede de sermos mais ou menos medievais no nosso comportamento. A tecnologia não nos retirou essas possibilidades, apenas nos deu mais liberdade – (de escolha, acrescentaria eu)  - . Agora podemos decidir se queremos viajar de burro ou de avião.
     E graças ao gramofone que, segundo Marceneiro, industrializou o fado, é-nos possível hoje em dia ouvi-lo cantar como se rezasse.


* Escritor

** Permiti-me omitir alguns parágrafos que, não alterando nem diminuindo a ideia daquilo que foi escrito, encurta consideravelmente o texto, evitando uma leitura, quiçá, mais cansativa para quem por aqui passar e se dispuser a ler.

 Gostaria de saber a vossa opinião. Acham que o avanço da tecnologia alterou desfavoravelmente a vida das pessoas ou há hoje o livre arbítrio de cada um viver consoante lhe aprouver: Desfrutando dos benefícios e recusando o que lhe parecer negativo…Será que é assim tão fácil a opção?

E relativamente a filhos e netos?...


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domingo, 25 de junho de 2017

SOLIDÕES E DESERTOS.








É NO SILÊNCIO DA NOITE ESCURA

                         QUE A MINHA SOLIDÃO SE VÊ MELHOR.



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Oh minha senhora... ó minha senhora...

Imagem surripiada do blog "Devaneios a Oriente"


Oh minha senhora ó minha senhora, oh não se incomode senhora minha não faça isso eu lhe peço eu lhe suplico por Deus nosso redentor minha senhora não dê importância a um simples mortal vagabundo como eu que nem mereço a glória de quanto mais de...não não não minha senhora não me desabotoe a braguilha não precisa também de se despir o que é isso é verdadeiramente fora de normas e eu não estou absolutamente preparado para semelhante emoção ou comoção, sei lá minha senhora nem sei mais o

que digo, eu disse alguma coisa?

Sinto-me sem palavras sem fôlegos sem saliva para molhar a língua e ensaiar um discurso coerente, na linha do desejo sinto-me desamparado do Divino Espírito Santo minha senhora eu eu eu...ó minha senh...esses seios são seus ou é uma aparição e esses pêlos essas nád...tanta nudez me deixa naufragado me mata me pulveriza…louvado bendito seja…Deus…

 …é o fim do mundo desabando no meu fim eu eu...

 Carlos Drummond de Andrade, em "O amor natural".
 Rio de Janeiro: Record, 1992.



                                                                   

sábado, 24 de junho de 2017

PARA TI, MEU FILHO!


                                                          MUITOS PARABÉNS!!

QUE SEJAS  MUITO FELIZ, 

                                    AINDA QUE LONGE DO TEU PAÍS.


...ESTA É, E SERÁ SEMPRE, A CIDADE QUE TE VIU NASCER...

                              ...A TUA CIDADE!!



                                                                   





                                                                   









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quinta-feira, 22 de junho de 2017

SE O NATAL É QUANDO O HOMEM QUISER, O SÃO JOÃO TAMBÉM O PODE SER.

E ESTE VAI SER ESPECIAL...E ANTECIPADO. 

PORÉM...SEM MANJERICOS.




SEM ALHO-PORRO


SEM MARTELINHOS

SEM ARQUINHOS NEM BALÕES


  SEM SARDINHAS...

...MAS, COM SORRISOS

video


...E RISOS.      ( PARA QUEM QUISER, QUE AQUI NINGUÉM É OBRIGADO A NADA) 


video


PARA QUEM NÃO DISPENSA A TRADIÇÃO  DAS QUADRAS POPULARES, DEIXO EU A PRIMEIRA. 
QUER SEGUIR? SIGA... DEIXE A SUA...


...E VIVA O SÃO JOÃO!!!!



ADENDA : NO DIA DE SÃO JOÃO, ( DIA 24, PARA QUEM NÃO SOUBER) E CONFORME FOI PROMETIDO,  FORAM ADICIONADAS AO POST,  AS QUADRAS DOS GENTIS COLABORADORES E AMIGOS DESTA CASA.    OBRIGADA A TODOS.


Pediste-me para eu cantar
Pensando que eu não sabia
Mas sou como o rouxinol
Canto de noite e de dia...


Teresa  (ematejoca)

Pelo Santo António vi-te
Pelo São João fui falar-te
No São Pedro convenci-te
Falta um santo pra deixar-te. 


Tanto andaste, tanto andaste,
Que arranjaste um noivo rico !
No São João tu lhe deste,
Lá na terra, o manjerico !


Nem manjerico nem balão
não há farra nem bailinho
Enquanto o maroto do S. João
Não me apresentar um rapazinho.

Graça Sampaio (Picos de Roseira Brava)

Cantas de dia e de noite
Cantas de noite e de dia;
Mas mesmo sem os balõezinhos
O São João é uma alegria!





Santo António já lá vai
São João já cá está
P'ra semana é São Pedro

E esta nem saiu má...


Elvira Carvalho (Sexta-Feira)

S. João p'ra ver as moças
Fez uma fonte de prata
As moças não vão à fonte

S. João todo se mata.





Por último, mas não menos importante, a proveniência dos vídeos:
um amigo, de seu nome...Daniel!! :)


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terça-feira, 20 de junho de 2017

A Subir Se Pode Descer...Ou: Paradoxos.

Quando há pouco passei por um blog de fotografia - sempre excelentes fotografias, diga-se - e vi que a foto de hoje,  mostrava o ascensor de um dos bairros da cidade de Lisboa - o da Bica - de pronto me veio à ideia um fado/canção, que ouvi e cantei, muito, na minha adolescência. Será que alguém se lembra desta voz e deste fado? Não acredito! Só os dinossauros, como eu...Ainda há por aí alguns?



Talvez a letra ajude a recordar:



Quem sobe essa calçada triste e fria
E pensa do que é feita a sua história

Não consegue entender por que ironia
lhe chamam a Calçada da Glória

Caminho que a subir conduz ao céu
Mas quanta vez a vida, p’lo contrário
Nos mostra que ao subir com sua cruz
A bondade de Jesus teve por prémio o calvário

E essa mulher que o destino fez perder
Sobe a calçada sem ver a sua longa descida
Que o Bairro Alto roubou-lhe há muito a memória
P'ra que ela não veja a glória em que destroçou a vida

Quem vence é invejado por vencer
Não podendo evitar um mau juízo
Apenas porque alguém não soube ver
O drama que se oculta no sorriso

Por isso, eu tenho pena de quem vive
A fingir que é feliz o seu caminho
E afinal não encontra paz nem sorte
Segue pela vida sem norte
À procura de um carinho…



A imagem do ascensor da Calçada da Glória é:  DAQUI

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

DAS MÁGOAS.



Sinto hoje a alma cheia de tristeza! 
Um sino dobra em mim Avé-Marias! 
Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias 
Faz na vidraça rendas de Veneza ... 

O vento desgrenhado chora e reza 
Por alma dos que estão nas agonias! 
E flocos de neve, aves brancas, frias 
Batem as asas pela Natureza ... 

Chuva...tenho tristeza! Mas porquê?! 
Vento...tenho saudades! Mas de quê?! 
Ó neve que destino triste o nosso! 

Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!
 
Gritem ao mundo inteiro esta amargura
Digam isto que sinto, que eu não posso!...

“Neurastenia” poema de Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"  



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