quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

LUME D'ÁGUA.



“Cantar? E para quê? – me dizem todos:
Não é com cantos que se ganha a vida.
Por desgraça assim é; mas eu já agora,
Enquanto o barco da existência vogue
Ao lume d’água, irei cantando sempre.
Se com meus versos não alcanço glória,
Ao menos logro distrair o espírito
Das tristezas reais da vida amarga.”



Assim pensava e escreveu Guerra Junqueiro, como introdução
 ao seu poema "Baptismo de Amor", neste Vibrações Líricas." 

Concordo inteiramente: Quem não ganha a vida a cantar, 
canta  para as agruras da vida espantar. Ao menos isso...




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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Já Fui Feliz Aqui [ XLI ]




De braços abertos
Abraçando o rio
Olhando os teus passos
De longe sorrio

Recordo esta tarde,
Já tarde no tempo
Relembro e te lembro
E sinto um vazio

Apesar de longe
A paz é maior
Sabendo que a vida
Para ti é melhor

E nesta saudade
De te abraçar
Lanço-me no espaço

  Querendo voar, voar, voar…





Para o meu filho, com Amor.

 (Agosto de 2016)


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domingo, 14 de janeiro de 2018

DETRÁS DA MINHA JANELA.






Quem olha, de fora, através de uma janela aberta,
não vê jamais tantas coisas quanto quem olha de uma janela fechada.
Não há objecto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais radiante que uma janela iluminada por uma luz difusa.
O que se pode ver à luz do sol é sempre menos interessante que o que se passa atrás de uma vidraça. Neste buraco negro ou luminoso vive a vida, sonha a vida, sofre a vida.
Para além do ondular dos telhados, avisto uma mulher madura, já com rugas, sempre debruçada sobre alguma coisa, que nunca sai de casa.
Pelo seu rosto, pela sua roupa, pelos seus gestos, por quase nada refiz a história desta mulher, ou melhor, a sua lenda e, por vezes, conto-a a mim mesmo, chorando.
Tivesse sido um pobre velho, também a teria refeito, facilmente.
E deito-me, feliz, por ter vivido e sofrido pelos outros como se fosse eu mesmo.
Talvez me digam: “Tens a certeza de que esta lenda é verdadeira?”
Que importa o que possa ser a realidade situada
 fora de mim, se me ajuda a viver,
 a sentir que existo e o que sou?


[ Baseado no  poema “As Janelas”
de Charles Beaudelaire ]





sábado, 13 de janeiro de 2018

DA (I)MATURIDADE EMOCIONAL.




Amadurecer é ter cuidado com as palavras que dizemos a outrem, pensar se aquilo que nos parece normal, não terá um efeito negativo nos sentimentos e na auto-estima da pessoa a quem nos dirigimos.



Imaturidade é confundir ditos espirituosos com expressões abusivas, é não entender os limites de um relacionamento amigável e cortês, não haver uma preocupação em não ferir a sensibilidade da pessoa a quem  dirigimos a palavra. 





Finalmente, e espero que definitivamente, possuir maturidade  emocional é saber entender isto:- Tem juízo...respeitinho é bonito e eu gosto!


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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

CONTRADIÇÕES.


Tela by Dima Dmitriev.




Noite…companheira dos meus sonhos

Das longas horas amargas

Onde tudo se perdeu


Dias e noites perdidas

    que foram sarando 


  feridas


    pequenas coisas esquecidas


       grandes batalhas vencidas.



    Não sei para onde

              Partiste

                 Cobardemente

                          fugiste. 
                           

  Hoje, quem já te não quer…

                               …Sou eu!




                            
                                

                                 


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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

DO DESPERDÍCIO.

Recordam-se daquele campo de grelos que publiquei há um tempo atrás? Pois, hoje, ao aproveitar uma aberta nos aguaceiros, intermitentes, fui desentorpecer as pernas e fiz a caminhada pelo mesmo trilho do outro dia.
Fiquei pasmada ao ver como foi possível o proprietário daquele campo de cultivo ter deixado desperdiçar tanta hortaliça.


Tivesse eu galos, galinhas, patos e frangos, [ criação :) ] levá-los-ia comigo e deixava-os aqui.

Não teria sido preferível ter afixado uma placa a dizer:


"Dão-se grelos a quem os colher"?

O desperdício alimentar não se verifica apenas nas casas mal-governadas, onde há mais olhos do que barriga, nos supermercados onde são deitados aos contentores alimentos fora do prazo de validade, mas perfeitamente comestíveis, que poderiam ser colocados à disposição de quem deles precisasse, ou quisesse, numa prateleira para esse fim. Em vez de se verem as pessoas sem abrigo a escarafunchar no lixo. Verifica-se em  todos os sectores deste nosso belo país - e de outros - que, sendo pobre, tem a mania das grandezas...


                                              



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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Vamos Lá Soltá-lo...



Espreito por uma porta encostada
Sigo as pegadas de luz
Peço ao gato xiu para não me denunciar
Toca o relógio sem cuco
Dá horas à cusquice das vizinhas e eu
Confesso às paredes de quem gosto
Elas conhecem-te bem
Aconchego-me nesta cumplicidade
Deixo-me ir nos trilhos traçados
Pela saudade de te encontrar
Ainda onde te deixei
Trago-te o beijo prometido
Sei o teu cheiro mergulho no teu tocar
Abraças a guitarra e voas para além da lua
Amarro o beijo que se quer soltar
Espero que o sintas para me entregar
A cadeira, as costas, o cabelo e a cigarrilha
A dança do teu ombro

E nesse instante em que o silêncio
É o bater do coração
Fecha-se a porta
Pára o relógio as vizinhas recolhem
Tu olhas-me
Tu olhas-me….




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